Sobre o passado, o que se passa e o que passará

Todos nós temos ou já tivemos aquela roupa que cabia perfeitamente, combinava com tudo e servia para qualquer ocasião. Usamos essa roupa, lavamos, passamos, perfumamos… Até que chega um momento em que ela simplesmente deixa de caber. Não adianta, está apertada, não dá mais pra vesti-la. E agora? Bom, deixamos-a então guardada ali numa gaveta, alguns preferem doar. Já outros fazem diferentes: no lugar de descartá-la, ajustam-a! Levam à melhor costureira que conhecem e transformam aquela roupa velha em uma peça nova, que agora está ajustada às suas atuais medidas!

No que se refere às pessoas, funciona de modo parecido. Nem sempre alguém que foi querido por nós no passado vai continuar se encaixando com as versões mais recentes de quem somos. Mudamos e, assim como as roupas, algumas pessoas deixam de caber em nossas vidas, a compatibilidade se reduz. No entanto, quando fazemos questão de alguém, devemos buscar adaptar, encontrar formas diferentes de lidar com as mudanças de cada um. Temos que ir à costureira e pedir a ela que retire as partes mais apertadas da roupa, as mágoas do passado, e deixe somente o necessário para que a peça não perca sua essência. Dessa maneira, é possível trazer o passado que parecia obsoleto para o presente e, posteriormente, levá-lo ao futuro, lembrando do seguinte fato: a vida (e as pessoas que desejamos manter nela), assim como as nossas roupas prediletas, exigem adaptações, novos moldes e costuras reajustadas.

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